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Artistas Brasileiras Na Indústria Da Tatuagem: Cyth R.

Artistas Brasileiras Na Indústria Da Tatuagem: Cyth R.

Brasil3 min Read

Da alta gastronomia até as tatuagens Blackwork em Free Hand, agora você conhece mais sobre a história da Paraense Cynthia Ramos!

Dizer que o Brasil é plural, é clichê né? Mas a gente usa essa licença poética assim mesmo! Agora vamos entender como a Cyth R, uma Paraense, teve experiências fora do Brasil, é uma mãe independente e se mudou para São Paulo 18 anos atrás em busca de oportunidades maiores do que o Estado em que nasceu.

Cynthia Ramos, Cyth

Como você define seu trabalho? Estilo e processo de criação.

''.site specific. Com foco em trazer sensações, o cliente tem que se sentir bem com a tattoo que vai carregar. Penso onde a tatuagem vai "morar". Esse termo (site specific) é usado pela galera das artes convencionais quando se referem as criações pensadas pra um determinado espaço, e é exatamente isso que eu faço, mas com tatuagem. Meu processo de criação é feito da maneira mais organizada e orgânica possível (pra uma mãe) hahah. Sempre foco na pessoa que será tatuada e a sensação que ela quer com a tatuagem. Tattoo é mais que estética.''

Cyth faz todas as suas tatuagens no Free Hand! Se você segue a gente faz tempo, já tá por dentro de como isso funciona, se não, saberá neste exato momento! O artista faz o desenho com uma caneta, ou várias de cores diferentes, e depois vem com a máquina e tatua. São poucos os tatuadores que tem essa habilidade! Vamos prestigiar!

Você acha que tem pessoas que ainda confiam mais no trabalho de homem do que de mulher?

''A sociedade ainda é patriarcal. Então acontece sim. Sem contar a organização masculina em prol da manutenção dessa idéia imbecil de superioridade. Não é a toa que tatuadores influentes valorizam outros homens héteros cis. Isso não é um fenômeno da natureza, é só a manutenção do patriarcado. Mas isso tem mudado e vai transformar esse mundo da tattoo.''

Cyth tem majoritariamente o Blackwork como trabalho principal, mas como designer que cria o que a mente manda jogar pra fora, ela tem feito muitas ilustrações coloridas sensacionais pra tatuar como portfólio! E o que seria isso? Ela vai cobrar BEM MENOS do que uma tatuagem que ela já faz, então, olhem esses desenhos e aproveitem!

Já encontrou alguma dificuldade em conseguir local de trampo ou preconceito em ambientes predominantemente masculinos?

''Sim pra ambas as coisas. Pra qualquer coisa na verdade. Não me sinto segura e nem confortável em ambientes predominantemente masculinos e os evito. Em alguns estúdios com apenas homens cis héteros tiveram falas deliberadamente machistas só pra averiguarem minha reação. Foi péssimo e altamente desrespeitoso. Por isso eu, assim como outras pessoas, estamos nos organizando pra não ter que se submeter a esse tipo de falta de respeito.''

Cyth passou uma temporada em Massachussets e voltou rapidamente pro Brasil. Sua filhinha não tinha se adaptado. E contando um pouco mais sobre as habilidades dela, Cynthia é Sommelier! Não aquela Sommelier do vídeo do Porta Dos Fundos, mas a original! Que sabe combinar os vinhos com os pratos da alta gastronomia! Parece que ela trouxe isso pra suas técnicas de Free Hand, pra saber o que vai encaixar melhor na anatomia dos seus clientes!

Já se sentiu ameaçada tatuando algum homem? Já sofreu algum tipo de assédio?

''Já sofri com o machismo, e todas as pessoas que tatuam próximas a mim já sofreram algum tipo de assédio e foi justamente por isso, e pra dar visibilidade pra pessoas que tatuam lgbtq+ que montamos o Cyberia. Recebemos pessoas que não se sentem seguras em tatuar em estúdio com dominância de homem cis hétero, com receio de serem hostilizadas por macho escroto. A nossa proposta é um estúdio pra todos os corpos. Pessoas que tatuam lgbtq+ são muito bem vindes!''

Como é ser mãe e artista independente?

''Nada fácil. Ser o combo mulher/nortista/mãe é solitário na maioria das vezes, e quando falamos do meio artístico, mais precisamente da tatuagem, não é diferente.
Já sofri muita exclusão por ter essas nuances em mim. Hoje em dia eu estou em paz com isso, e me afirmo independente das circunstâncias. Me alio à pessoas que também fazem parte de minorias e assim tentamos democratizar a arte da tatuagem. É uma luta contínua. Tenho aversão a quem ridiculariza pessoas nortistas e nordestinas que tem pouco ou nenhum acesso ao que é tatuagem. O recorte de classe da tatuagem tem gênero e cor, é masculino e branco, não faço parte disso em diversos níveis. Hoje estamos transformando todo esse cenário e abrindo os holofotes pra mulheres, mães, pessoas lgbtqi+. É inadiável que a busca pela pluralidade seja concretizada na Tattoo.''

Um dos nossos objetivos é dar voz a todos os artistas que pudermos! E com isso, podemos conhecer histórias fortes e entender melhor todas as nuances que temos na nossa sociedade! Viva a tatuagem! VIva a liberdade!!!

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